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Saiba como elaborar um bom case para o Culture Audit GPTW

Dez dicas para fazer um bom case para o Culture Audit GPTW

Esqueça os tradicionais relatórios imponentes, projeto gráfico primoroso, diagramação impecável, fotos tratadas. Você não precisa nada disso para uma boa pontuação no Culture Audit do ranking Great Place to Work (GPTW). Algum capricho ao elencar evidências da sua narrativa não vai mal, mas o que realmente conta é o conteúdo. Em 2025, a Cartola ajudou quatro empresas de um grupo a elaborar os cases para o GPTW, incluindo apresentações de evidências com visuais mais e menos elaborados. Todas melhoraram o desempenho nos rankings de suas categorias. Uma delas subiu 33 posições em relação ao ano anterior; outra, 23; outra 13; e outra, duas.

 

 

O que é o Culture Audit GPTW

 

O Culture Audit é exigido de empresas com mais de 100 colaboradores que querem figurar nos rankings GPTW, responde por 25% da nota final para o ranqueamento e funciona como o raio-X cultural da empresa. Enquanto a pesquisa Trust Index responde por 75% da pontuação e revela como os colaboradores vivenciam o ambiente de trabalho, o Culture Audit permite mostrar o outro lado da história: o que a organização faz, de maneira consistente e comprovável, para construir essa experiência

 

Em vez de um relatório pomposo, como na maioria dos prêmios corporativos, o GPTW pede que as ações sejam relatadas em seis campos de texto. Puro texto. Talvez por isonomia, para evitar que o mais bonito e o mais rico se dêem melhor, o que conta é o relato a ser preenchido em seis campos, chamados de Pilares For All. São eles:

 

  1. Eficácia da liderança: Estratégia, direção e comunicação do negócio.
  2. Inovação por todos: Envolvimento dos funcionários em melhorias.
  3. Valores: Princípios orientadores e exemplos práticos.
  4. Confiança: Qualidades que tornam a empresa um excelente lugar para trabalhar.
  5. Maximização do potencial humano: Valorização e desenvolvimento dos colaboradores.
  6. Movimento da liderança: Atos ousados para melhorar o ambiente e impacto na comunidade.

 

O que são as Evidências do Culture Audit?

 

Além do texto, cada pilar, preenchido na própria plataforma do GPTW, contém um botão para anexar evidências, que nada mais são do que fotos, vídeos, registros das ações e histórias contadas. Sim, teoricamente, pode-se subir um documento simples apenas com prints e links – e assim fizemos para algumas empresas. Mas, como somos de comunicação, acreditamos que um projeto gráfico e uma diagramação bem feita, não necessariamente pomposa, tendem a ajudar.

 

Voltando à redação, o próprio GPTW orienta explicitamente que o texto do Culture Audit deve ser descritivo, narrativo e exemplificado, e não uma enumeração fria de atividades. É necessário responder a cada pilar articulando: o que a empresa faz, como faz, por que faz, qual impacto isso gera. 

 

Na própria plataforma, você verá que o GPTW traz perguntas para guiar os relatos. Isso ajuda, mas também pode atrapalhar. Afinal, existem ações que permeiam diferentes pilares e respondem a perguntas de campos diversos. Copiar e colar o mesmo texto em diferentes pilares não nos parece uma boa solução – afinal, se você fosse avaliador, gostaria de ler duas vezes uma mesma coisa? Mas, sim, relatar uma ação em mais de um campo, embora sob perspectivas diferentes, faz todo o sentido. 

 

Planeje antes de começar a redigir o case

 

Na prática, o que recomendamos é, antes de preencher todos os Pilares For All, fazer um roteiro prévio. Liste todas as ações, iniciativas, histórias e defina antecipadamente quais vão em quais campos. Como se fosse um ‘esqueleto’, a coluna vertebral do case. Assim, você não entra em curto circuito tentando decidir no meio do caminho se uma ação deve ir no Pilar 1 ou no 2, por exemplo. Outro desafio que pode gerar insegurança é tentar responder a todas as perguntas. Sim, devemos pensar sobre todas e como se encaixam em nossa organização. Mas se alguma delas não for respondida com prática da empresa, ignorar é melhor do que tentar encaixar nela um relato que não faz parte da verdade da sua companhia, que não é um valor na prática diária do seu RH. A verdade conta; é fácil reparar quando estamos tentando “forçar a barra” com algo que não corresponde à realidade. Deixar de responder alguma pergunta-guia não elimina o case (atenção, estamos falando em ignorar algumas perguntas que devem direcionar o relato de cada pilar, e não em deixar em branco algum pilar – não faça isso!).

 

Quanto tempo demora para redigir um bom case?

 

Do ponto de vista prático, sugerimos separar no mínimo três meses para a elaboração do case junto à agência ou ao profissional que vai redigi-lo (quatro meses é o ideal, para dar um tempo de contratação, onboarding, definição de cronograma). Mas o trabalho interno de coleta e organização de informações, monitoramento de dados e KPIs deve ser permanente, parte da rotina dos Recursos Humanos. Isso facilitará muito a sua vida na hora de fazer o relato. Três meses não é demais – e muitas vezes é pouco – levando em conta o alto volume de informações e ações com foco em Pessoas, Cultura e Valores no período de um ano em uma grande empresa. Lembre-se que é preciso dar tempo para revisões, validações, correções.

 

A grande vantagem de ter uma equipe de conteúdo ou jornalistas para redigir o case é que esses profissionais, além de uma redação mais fluida, tendem a ter um senso crítico e o hábito da checagem. Com isso, podem ajudar o próprio setor de RH, onde normalmente está o xerife da elaboração do case do GPTW, quem tem a responsabilidade de fazer acontecer (indicar um “dono do projeto” internamente é fundamental, ainda que envolva mais de uma pessoa). 

 

Mais do que isso, o que buscamos aqui na Cartola é construir um relato prazeroso de se ler e extremamente humano. Gostamos de contar histórias de verdade. E isso só se faz com pessoas. Então, sim, é fundamental que a equipe ou o conteudista tenham acesso a relatos de colaboradores, histórias que por vezes não parecem ter importância em um relatório, descrições de situações corriqueiras. São essas que muitas vezes traduzem, da forma mais envolvente e precisa possível, o clima, a cultura e os valores da empresa. Dizer que o clima é de camaradagem, que a inovação é estimulada, que o feedback e diálogo com lideranças é permanente é uma coisa. Mostrar como isso ocorre na prática diária de uma empresa é o que faz a diferença no Culture Audit do GPTW.

 

Por fim compilamos algumas dicas, nossas e de materiais do próprio GPTW, para redação de um bom case;

Dez dicas para redigir o Culture Audit GPTW e apresentar um bom case

  1. Construa uma narrativa contínua, não um catálogo de projetos.
    O GPTW quer entender cultura, não apenas iniciativas avulsas.
  2. Mostre a empresa como ela realmente é, com casos reais e específicos.
    O manual reforça repetidamente que o GPTW valoriza autenticidade: descreva situações, projetos concretos, exemplos vividos pelos colaboradores.
  3. Traga depoimentos curtos e espontâneos de colaboradores.
    Eles validam o discurso sem soar institucional demais.
  4. Explique a intenção por trás de cada prática.
    Não basta dizer o que foi feito; é preciso mostrar o propósito e o impacto.
  5. Utilize indicadores sempre que possível.
    Números tornam práticas mais sólidas.
  6. Conecte tudo ao conceito de confiança, núcleo da metodologia GPTW.
    O círculo de “Confiança” citado no manual GPTW reforça isso: inspirar, falar, escutar, agradecer, desenvolver, cuidar, compartilhar, celebrar e contratar são dimensões dessa construção.
  7. Use linguagem humana, clara e viva.
    Evite jargões, generalidades e descrições burocráticas.
  8. Organize evidências de forma estruturada e verificável.
    Nomeie arquivos, inclua links ativos e, se montar PDF, mantenha clareza.
  9. Evite promessas futuras.
    O ranking avalia práticas realizadas, não planos.
  10. Designe um xerife interno para o projeto.

É a pessoa que vai fazer acontecer e fazer o elo entre a agência de conteúdo, a equipe de RH e os colaboradores.

 

* Importante: essas dicas se baseiam nas últimas versões do GPTW e sua metodologia de 2025; ao longo dos anos, as regras, pontuação e formatos de apresentação podem mudar, mas a essência tem se mantido a mesma. Acesse sempre o manual oficial do ano antes de fazer a inscrição.